Módulo de Endocrinologia

Síndromes Adrenais

Domine a fisiopatologia, o diagnóstico e o manejo clínico das principais doenças das glândulas suprarrenais — do hipocortisolismo ao hipercortisolismo.

9 Módulos
4 Vídeoaulas
2 Síndromes Principais
Prof. Dr. Rogério Santiago
1

Anatomia e Histologia

Localização, estrutura e suprimento vascular das glândulas suprarrenais

Videoaula 01 — Anatomia das Glândulas Adrenais
Prof. Dr. Rogério Santiago Araujo
📽️ Videoaula introdutória: anatomia macroscópica, histologia e relações vasculares das suprarrenais Módulo 01
📑 Destaques dos Slides
📍

Localização

Localizadas nos polos superiores dos rins, retroperitonealmente, entre T11 e L1. A direita tem formato piramidal; a esquerda, semilunar.

⚖️

Peso e Tamanho

Cada glândula pesa em média 4g (3–6g). Medem 4–6 cm de comprimento e 2–3 cm de largura. A macroscopia pode ser normal, hipoplásica ou hiperplásica.

🩸

Suprimento Vascular

Artérias frênicas, suprarrenais e ramos acessórios. A veia suprarrenal direita drena para a veia cava inferior; a esquerda, para a veia renal.

🧬

Córtex e Medula

O córtex (90% da glândula) produz hormônios esteroides. A medula produz catecolaminas (adrenalina e noradrenalina).

📖

Apostila — Anatomia e Histologia das Glândulas Adrenais

As glândulas suprarrenais são glândulas endócrinas pares, de cerca de 3 a 6 gramas cada uma (em média 4g), com 2 a 3 cm de largura e 4 a 6 cm de comprimento. A glândula direita tem forma piramidal ou triangular, e a esquerda, semilunar ou alongada. Alguns dos hormônios produzidos pela suprarrenal são essenciais à vida.

Cada suprarrenal se localiza na face superomedial do rim correspondente. A suprarrenal direita projeta-se um tanto posteriormente à veia cava inferior. As glândulas suprarrenais localizam-se nos polos superiores dos rins, retroperitonealmente, de cada lado da coluna vertebral, entre a 11ª vértebra torácica e 1ª vértebra lombar.

Cada glândula suprarrenal compreende dois componentes endócrinos distintos: o córtex e a medula. O córtex suprarrenal produz hormônios esteroides, importantes na manutenção do balanço eletrolítico e no metabolismo de proteínas e carboidratos. A medula produz adrenalina e noradrenalina, cujos efeitos se assemelham àqueles resultantes do sistema nervoso simpático.

O suprimento sanguíneo deriva de diversas pequenas artérias — ramos terminais das artérias frênica e suprarrenal, ocasionalmente da ovariana e da espermática esquerda. A veia suprarrenal direita drena diretamente para a veia cava inferior, enquanto a suprarrenal esquerda drena para a veia renal do mesmo lado. A inervação é autonômica, com fibras parassimpáticas originadas na cadeia celíaca e no tronco vagal.

2

Biossíntese Hormonal

Zonas do córtex adrenal e seus respectivos produtos hormonais

Videoaula 02 — Biossíntese dos Hormônios Adrenais
Prof. Dr. Rogério Santiago Araujo
🎬 Vias de síntese hormonal a partir do colesterol: mineralocorticoides, glicocorticoides e andrógenos Módulo 02
🏛️ Zonas do Córtex Adrenal
10–15%
Zona Glomerulosa
Aldosterona Mineralocorticoide
Controle eletrolítico
75–85%
Zona Fasciculada
Cortisol Glicocorticoide
Metabolismo e estresse
5–10%
Zona Reticular
Andrógenos / Estrógenos Esteroides sexuais
DHEA, Androstenediona
🧪

Precursor Comum

Todos os hormônios esteroides do córtex adrenal são sintetizados a partir do colesterol obtido na alimentação e circulação.

⚗️

Enzimas Chave

P450scc, 3β-HSD, P450c21 (21-Hidroxilase), P450c11 (11β-Hidroxilase) e P450c17 (17α-Hidroxilase / 17,20-liase).

🔑

Cortisol — Funções

Gliconeogênese, anti-inflamatório, resposta ao estresse. Em excesso por semanas provoca alterações metabólicas, imunológicas e anatômicas.

🧂

Aldosterona

Regulada pelo sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA). Controla a reabsorção de sódio e excreção de potássio nos túbulos renais.

3

Eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal

Regulação fisiológica e mecanismos de feedback dos corticosteroides

🔄
Mecanismo Central

Hipotálamo → CRH → Hipófise → ACTH → Adrenal → Cortisol → Feedback negativo sobre hipotálamo e hipófise. O eixo HHA é o controlador da síntese e liberação de todos os corticosteroides.

🧠

Hipotálamo

Núcleos supra-ópticos e paraventriculares produzem CRH (fator liberador do ACTH), que estimula a hipófise anterior.

🌡️

Hipófise Anterior

Produz ACTH a partir da clivagem do precursor POMC (Pro-Opiomelanocortina). O ACTH estimula as zonas fasciculada e reticular da adrenal.

Feedback Negativo

O cortisol plasmático elevado inibe a secreção de CRH e ACTH. Este mecanismo é a base dos testes diagnósticos de supressão com dexametasona.

🌙

Ritmo Circadiano

O cortisol tem pico matinal (6–8h) e nadir à meia-noite. Perda desse ritmo é marcador diagnóstico de hipercortisolismo.

📖

Apostila — Regulação do Eixo HHA

O eixo fisiológico hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) é o controlador da síntese e liberação dos corticosteroides. Todos os corticosteroides deste eixo são produzidos a partir de um precursor comum, o colesterol, e são sintetizados no córtex da glândula adrenal.

Os núcleos supra-ópticos e paraventriculares hipotalâmicos produzem o fator liberador do hormônio adrenocorticotrófico (CRH), que controla a secreção de ACTH pela hipófise anterior. O ACTH, por sua vez, é responsável por estimular a secreção dos glicocorticoides pela zona fasciculada.

O eixo HHA é dirigido pela concentração plasmática dos hormônios do eixo por um mecanismo de feedback negativo: o aumento anormal das concentrações de cortisol modifica o eixo, reduzindo a secreção de CRH e ACTH. Da mesma forma, a queda do cortisol ativa o eixo, estimulando a liberação compensatória de CRH e ACTH.

O cortisol tem funções diversas no metabolismo: função catabólica, equilíbrio eletrolítico, metabolismo de carboidratos, lipídeos e proteínas. É liberado principalmente em resposta ao estresse e é o responsável pela gliconeogênese e ativação de vias anti-inflamatórias.

4

Insuficiência Adrenal — Doença de Addison

Hipocortisolismo: causas, diagnóstico e manifestações clínicas

Videoaula 03 — Insuficiência Adrenal e Doença de Addison
Prof. Dr. Rogério Santiago Araujo
🎬 Hipocortisolismo primário e secundário: etiologia, epidemiologia, quadro clínico e investigação laboratorial Módulo 04
⚠️
Definição — IA Primária

Destruição do córtex adrenal com falência de cortisol e aldosterona. ACTH plasmático elevado (>100 pg/mL) por perda do feedback negativo.

🦠

Causa Mais Comum (Adulto)

Adrenalite autoimune (65–90% dos casos). Pode ocorrer como entidade isolada ou associada a outras endocrinopatias (Síndrome Poliglandular Autoimune).

🔬

Outras Etiologias

Tuberculose, paracoccidioidomicose, histoplasmose, HIV/CMV, metástases adrenais bilaterais (pulmão, rim, mama), adrenoleucodistrofia ligada ao X.

🎨

Hiperpigmentação

Presente em ~90% dos casos de IA primária. Causada pelo aumento concomitante de MSH (derivado da POMC, assim como o ACTH). Ausente na IA secundária.

🧬

Causa na Criança

Hiperplasia adrenal congênita — doença autossômica recessiva por deficiência de enzimas na síntese de cortisol (mais comum: 21-hidroxilase).

🏥
Definição — IA Secundária

Deficiência de ACTH (hipofisário) ou CRH (hipotalâmico — terciária). Apenas o cortisol é deficiente; a aldosterona é mantida pelo SRAA intacto.

💊

Causa Mais Comum

Uso exógeno prolongado de glicocorticoides (iatrogenia) — principalmente cortisona e prednisolona — levando à supressão do eixo HHA.

🧠

Outras Causas

Tumores hipofisários, cirurgia transesfenoidal, radioterapia, síndrome de Sheehan, traumatismo cranioencefálico, panhipopituitarismo.

📊

Ordem de Perda Hormonal

No panhipopituitarismo: GH → FSH/LH → TSH → ACTH (as células corticotróficas são as mais resistentes, sendo afetadas por último).

🔑

Diferença Chave

Sem hiperpigmentação (ACTH baixo ou normal). Aldosterona preservada — logo, menor tendência à hipotensão grave e hipercalemia.

📈

IA Primária — Incidência

6 casos por 1 milhão de habitantes/ano. Prevalência: 40 a 110 casos/1 milhão hab.

📉

IA Secundária

Incidência não estimada com precisão, porém considerada a mais comum — principalmente por iatrogenia (uso de glicocorticoides exógenos).

🏥

Contexto Clínico

A insuficiência adrenal autoimune pode associar-se a tireoidite de Hashimoto, DM tipo 1, hipoparatireoidismo e falência ovariana primária (Síndrome Poliglandular).

🩺 Sinais e Sintomas da Insuficiência Adrenal
💡
Indicações de Investigação

Cansaço, fraqueza e depressão inexplicáveis • Anorexia e perda de peso • Tontura e hipotensão postural • Náusea, vômito, diarreia • Hiponatremia, hipoglicemia, anemia normocítica, linfocitose e eosinofilia.

📖

Apostila — Quadro Clínico e Investigação da Insuficiência Adrenal

A falta crônica de glicocorticoides leva a vários sintomas inespecíficos: mal-estar geral, apatia, inapetência, perda de peso, náusea, vômitos, dor abdominal e diarreia. A hipoglicemia pode ser uma manifestação inicial. Quando há também deficiência de mineralocorticoides (IA primária), hipotensão, síncope, desidratação e choque cardiocirculatório, com hiponatremia e hipercalemia, podem se associar ao quadro.

Na mulher, a IA resulta em perda dos pelos pubianos e axilares. Pacientes com IA grave ou de longa duração podem apresentar mialgias, artralgias e sintomas psiquiátricos (perda de memória, delírio, depressão, psicose).

O achado de hiperpigmentação (excesso de ACTH) indica causa primária (presente em ~90% dos casos). A presença de vitiligo e candidíase mucocutânea sugere etiologia autoimune. A IA primária autoimune pode estar associada a outras endocrinopatias imunológicas, constituindo a síndrome poliglandular autoimune.

Investigação Laboratorial: Cortisol < 3 µg/dL confirma IA; > 19 µg/dL a exclui. Valores entre 3 e 19 µg/dL requerem teste de estimulação com ACTH sintético (1 ou 250 µg). ACTH > 100 pg/mL sugere IA primária; < 100 pg/mL sugere IA secundária.

5

Crise Adrenal

Insuficiência adrenal aguda — emergência endócrina

🚨
Emergência Endócrina

A crise addisoniana pode ser precipitada por infecções, traumas ou cirurgias em pacientes com reserva adrenal comprometida. O choque hipotensivo é a manifestação dominante — causado por depleção de sódio e volume plasmático. Febre + dor abdominal difusa pode mimetizar abdome agudo cirúrgico (fatal se operado sem tratamento hormonal).

💧

Mecanismo do Choque

Depleção de sódio e volume plasmático + excesso de prostaglandinas (prostaciclina) + resposta diminuída à norepinefrina e angiotensina II.

🌡️

Febre

Geralmente causada por infecção concomitante e agravada pelo hipocortisolismo. Associação febre + dor abdominal não deve ser investigada cirurgicamente sem excluir crise adrenal.

Achados Laboratoriais

Hiponatremia, hipercalemia, hipoglicemia, eosinofilia e anemia normocítica. Cortisol baixo; ACTH elevado (na crise por IA primária).

💉

Conduta de Emergência

Hidrocortisona IV em doses altas + reposição volêmica com SF 0,9% + tratamento da causa desencadeante. Não esperar resultados laboratoriais para iniciar o tratamento.

6

Síndrome de Cushing

Hipercortisolismo: classificação, etiologia e manifestações clínicas

Videoaula 04 — Síndrome de Cushing
Prof. Dr. Rogério Santiago Araujo
🎬 Hipercortisolismo endógeno e exógeno: Doença de Cushing vs. outros tipos — diagnóstico diferencial e manejo Módulo 06
📌
Conceito Fundamental

Hipercortisolismo = expressão laboratorial (cortisol elevado). Síndrome de Cushing = expressão clínica. A Doença de Cushing (adenoma hipofisário) representa ~70% dos casos de SC endógena. Incidência: 13 casos/1.000.000/ano; mulher:homem 8:1.

🗂️ Classificação — ACTH-Dependente vs. Independente
🎯

ACTH-Dependente (80–85%)

Doença de Cushing (adenoma pituitário) — 70% dos casos. Síndrome do ACTH ectópico (carcinoma pulmonar de pequenas células, carcinoides brônquicos). Gangliocitomas.

🏠

ACTH-Independente (15–20%)

Adenomas e carcinomas adrenais produtores de cortisol. Hiperplasia macronodular maciça (MMAH). Displasia adrenal micronodular pigmentada (PPNAD/Carney).

💊

Iatrogênico (Exógeno)

Uso prolongado de glicocorticoides. Cortisol endógeno e ACTH suprimidos. Causa mais comum de SC no mundo. Reversível com a retirada gradual do corticoide.

⚗️

Pseudo-Cushing

Hipercortisolismo funcional sem SC verdadeira: alcoolismo, obesidade visceral, anorexia nervosa, depressão, final da gestação. Não é doença progressiva.

📊 Sinais e Sintomas Clínicos — Incidência (%)
Manifestação Clínica Incidência Frequência
Obesidade (centrípeta)
85%
Muito frequente
Alterações neuropsiquiátricas
85%
Muito frequente
Hipertensão arterial
75%
Muito frequente
Pletora facial / Fácies de lua cheia
80%
Muito frequente
Hirsutismo
75%
Muito frequente
Distúrbios menstruais
75%
Muito frequente
Osteopenia / Osteoporose
80%
Muito frequente
Intolerância à glicose / Diabetes
75/20%
Frequente
Estrias violáceas largas (>1cm)
50%
Frequente
Fraqueza muscular proximal
50%
Frequente
Infecções fúngicas
50%
Frequente
Impotência / Diminuição da libido
65%
Frequente
Hiperpigmentação
5% *
Apenas ACTH-dep.
Calculose renal
15%
Ocasional
🔍
Achados Mais Específicos para Síndrome de Cushing

Distribuição anormal de gordura (fossas supraclaviculares, temporais, interescapular = gibosidade búfala) • Fraqueza muscular proximal • Estrias purpúreas largas (>1cm) • Interrupção do crescimento linear com ganho contínuo de peso (em crianças). A hiperpigmentação ocorre apenas nas formas ACTH-dependentes.

📖

Apostila — Fisiopatologia e Quadro Clínico do Hipercortisolismo

A síndrome de Cushing resulta de exposição prolongada a níveis suprafisiológicos de glicocorticoides circulantes, tanto endógenos quanto exógenos. Embora rara (incidência de 1:100.000/ano), é uma situação devastante com morbidade e mortalidade que exigem terapêutica rápida e eficiente.

O aumento do cortisol interfere em uma série de fatores: déficit de crescimento (cortisol antagoniza IGF-1 na faixa de crescimento), estrias largas e violáceas, pilificação e hirsutismo, seborreia, acne, hiperemia facial, proteólise e perda de massa muscular, imunossupressão, desmineralização óssea, tendência ao diabetes, hipercalciúria e cálculo renal, e apatia (porém agitação psicomotora ocorre com dose alta/aguda).

Nos ossos, os glicocorticoides reduzem a densidade (osteoporose) pelo prejuízo na síntese de tecido osteoide. Este efeito predomina nos ossos trabeculares, poupando a cortical dos ossos longos — diferentemente do hipertireoidismo, que causa maior perda de osso cortical.

A Doença de Cushing (adenoma hipofisário secretor de ACTH) é a principal causa de SC endógena (70%), mais comum no sexo feminino (8:1) e com início entre 15–50 anos. Pode ocorrer hemianopsia bitemporal por compressão do quiasma óptico — investigada com campimetria visual. A identificação da fonte de ACTH pode demorar muitos anos, pois os corticotropinomas são frequentemente muito pequenos (<6mm).

7

Diagnóstico do Hipercortisolismo

Testes bioquímicos, dinâmicos e investigação etiológica

🔬 Testes de Rastreio — 3 Principais
🧪

Cortisol Livre Urinário (24h)

CLU aumentado confirma hipercortisolismo. Sujeito a falso-positivos (estresse, exercício intenso) e falso-negativos (coleta incompleta).

💊

Supressão com Dexametasona

TSD: 1 mg às 23h → coleta de cortisol às 8h. Não supressão (>1,8 µg/dL) sugere SC. Para confirmação: 2 mg/dia (0,5 mg/6h) × 2 dias. SC verdadeira: não suprime com até 8 mg.

🌙

Cortisol Salivar à Meia-Noite

Avalia o ritmo circadiano. Cortisol às 24h > 7,5 µg/dL. Sensibilidade 94%, Especificidade 100%. Perda do nadir noturno é achado precoce de SC.

🔀 Fluxo Diagnóstico Etiológico
1

Confirmar Hipercortisolismo

CLU, TSD de 1 mg, cortisol salivar noturno. Nenhum teste isolado é 100% definitivo.

2

Dosar ACTH Plasmático Basal

ACTH indetectável ou suprimido → SC ACTH-independente (tumor adrenal). ACTH inapropriadamente elevado → SC ACTH-dependente.

3

Diferencial: Doença de Cushing vs. ACTH Ectópico

TSD de altas doses (8 mg): supressão >50% favorece Doença de Cushing. Coleta bilateral de seios petrosos (cateterismo): gradiente >2 basal ou >3 pós-CRH confirma fonte pituitária.

4

Imagens

Adrenais: TC de cortes finos (RMN menos sensível). Hipófise: RMN com contraste (visualiza ~60% dos corticotropinomas, diâmetro médio 5,6 mm). ACTH ectópico: TC tórax/abdome.

🎓
Pérola Clínica — Hipocalemia

A hipocalemia acompanha o hipercortisolismo na Síndrome de Cushing — diferente da Doença de Addison, onde ocorre hipercalemia. Na maioria dos casos de Cushing, o ACTH é normal ou suprimido, indicando tumor adrenal primário, produtor de cortisol e independente do ACTH.

8

Tratamento

Abordagem terapêutica das síndromes adrenais — cirúrgica e clínica

💊

Reposição de Glicocorticoide

Hidrocortisona 15–25 mg/dia (em 2–3 doses) ou Prednisona 5–7,5 mg/dia. Dose maior pela manhã (mimetiza ritmo circadiano).

🧂

Reposição de Mineralocorticoide

Fludrocortisona (Florinef) 0,05–0,2 mg/dia — apenas na IA primária (na secundária, a aldosterona é preservada pelo SRAA).

📋

Educação do Paciente

Orientar sobre o dobro/triplo da dose em situações de estresse (febre, cirurgia, trauma) para prevenir crise adrenal. Pulseira de alerta médico.

🚨

Crise Adrenal

Hidrocortisona 100 mg IV em bolus, seguido de 50–100 mg IV a cada 6–8h + reposição volêmica com SF 0,9% + tratamento da causa precipitante.

🔪

Cirurgia Transesfenoidal

Tratamento de escolha para Doença de Cushing. Taxa de cura ~80% em mãos experientes. Recidiva possível em meses a anos após a cirurgia.

🏥

Adrenalectomia

Unilateral para tumores adrenais unilaterais. Bilateral para casos refratários à cirurgia hipofisária e radioterapia. Risco de Síndrome de Nelson (↑↑ ACTH + hiperpigmentação).

☢️

Radioterapia

Adjuvante para Doença de Cushing pós-cirurgia com persistência/recidiva. Efeito tardio (meses a anos). Pode ser estereotáxica (radiocirurgia).

🧴

Tratamento Clínico

Inibidores da esteroidogênese: cetoconazol, metirapona, mitotane (adrenolítico). Indicados como ponte para cirurgia ou em casos irressecáveis.

💊 Comparação dos Glicocorticoides
Glicocorticoide Duração Dose Equiv. Ef. Mineralo. Meia-Vida
HidrocortisonaCurta20 mg18–12h
CortisonaCurta25 mg0,88–12h
PrednisonaIntermediária5 mg0,212–36h
PrednisolonaIntermediária4 mg0,212–36h
MetilprednisolonaIntermediária4 mg012–36h
TriancinolonaIntermediária4 mg012–36h
BetametasonaProlongada0,5 mg024–72h
DexametasonaProlongada0,75 mg024–72h
📝
Atenção Clínica

Apenas hidrocortisona, cortisona e fludrocortisona possuem efeito mineralocorticoide clinicamente relevante. Dexametasona, betametasona e metilprednisolona não repõem aldosterona — não devem ser usados como monoterapia na IA primária.